Uma tarde de inverno no sertão
É um grande espetáculo pra quem passa
Serra envolta nos tufos de fumaça
Água forte rolando pelo chão
O estrondo da máquina do trovãoEntre as nuvens do céu arrocheado O raio caindo assombra o gado Atolado por entre as lamas pretas Rosna o vento fazendo pirueta Nas espigas de milho do roçado No sertão quando o chão está molhado Corre água nas veias de um regato Pula a onça da furna corre o gato Um cavalo galopa estrupiado Um garrote atravessa o rio de nado Uma cobra se acoa com um cancão A cantiga saudosa do carão Faz lembrar o lugar que fui nascido Entre as telas do filme colorido Que Deus fez pra o cinema do sertão Quando é festa animada de São João Nunca falta canjica nem sequilo Pamonha, mingau, bolo de milho Buscapé, estrelinha e foguetão Cantoria, namoro, discussão Quebra pote, corrida de argolinha Padrinho de fogueira e a madrinha
Casamento matuto, samba e jogo E a caboca com o rosto cor de fogo Tocaiando as panelas da cozinha
No sertão quando é bem demanhãnzinha Sertanejo se acorda na palhoça Chama o filho mais velho sai pra roça A mulher toma conta da cozinha Faz o fogo de lenha e encaminha Um guisado, angu quente ou fava pura E depois de fazer essa mistura Sai faceira igualmente uma condessa Com um quibumbo de barro na cabeça E vai levar aos heróis da agricultura
Mossoró(RN)., 26 de outubro de 2010 Paulo Menezes



















